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Impossível não se encantar

Qual menina nunca sonhou em ser bailarina? Talvez você nunca tenha sonhado. Talvez você seja menino e tenha sonhado em ser jogador de futebol ou – why not? – bailarino!  Talvez você tenha seguido este sonho e esteja dançando hoje pelos palcos da vida! Talvez não.

Mas independentemente do que você tenha se tornado, continue sendo aquela criança sonhadora e acredite nos seus sonhos. Mesmo que não consigas realizar todos eles, valerá a pena pela beleza do sonhar!

Bom final de semana amigos!

A bailarina

Cecília Meireilles

Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.

 

As bailarinas mais amadas deste mundo! Pequenas grandes amigas!

As bailarinas mais amadas deste mundo! Pequenas grandes amigas!

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Pausa para Chico Buarque

"Eles que não inventem de batizar meu irmão de Francisco...Senão já viu: Chico Bento"

Eu, eu sou um jumento

Não sou bicho de estimação

Não tenho nome, nem apelido

Nem estimação

Sou jumento e pronto

Na minha terra também me chamam de jegue

E me botaram pra trabalhar na roça a vida inteira

Trabalhar feito jumento

Pra no fim… nada

Minha pensão, nem uma cenoura

Acho que é por isso que às vezes também me chamam de burro

Eu nem me incomodo

Mas outro dia

Eu tava subindo o morro com quinhentos quilos de pedra no lombo

Tava ali subindo quando ouvi um paid’égua falar assim: “Mas que mula preguiçosa sô!”

Fui ver e a mula era eu

Aí eu parei: Mula! É demais! E resolvi dar no pé

Tomei a estrada que leva à cidade

E fui seguindo naquela escuridão

Naquela humilhação

Naquela solidão que nem sei

Não sou disso não

Mas me deu uma vontade arretada de chorar

E chorar, e chorar aos soluços

E pensava com meus borbotões

Jumento não é Jumento não é

O grande malandro da praça

Trabalha, trabalha de graça

Não agrada a ninguém

Nem nome não tem

É manso e não faz pirraça

Mas quando a carcaça ameaça rachar

Que coices, que coices

Que coices que dá

Essa pequena historinha é a letra da música “O Jumento” do Chico Buarque que está no Musical “Os Saltimbancos”. Reza a lenda que o Chico, exilado na Itália, viu o musical infantil com letras de Sergio Bardotti e música de Luis Enríquez Bacalov e resolveu fazer sua versão em português, colocando algumas músicas a mais e mais um muito de sua genialidade.

O musical dos italianos havia sido inspirado no conto Os Músicos de Bremen dos Irmãos Grimm e adaptado com um viés político que o Chico na época (anos 70), sem maiores dificuldades, sendo quem era, logo transpôs para a realidade brasileira. O resultado foi felicíssimo e até hoje o musical faz um sucesso danado.

A primeira montagem foi histórica, no Canecão, com Marieta Severo como gata, a Miúcha como galinha e o Grande Otelo como cachorro. No coro infantil alguns filhos de artistas, entre eles a Bebel Gilberto, então bem pequerrucha. Vendo a foto dessa gente toda no encarte eu fico imaginando que toda a montagem desse espetáculo e os ensaios devem ter sido uma diversão enorme. Imagina trabalhar com uma turma assim com tantas pessoas talentosas, mais um monte de crianças e em cima de músicas do Chico? Deve ter sido fantástico.

Minha mãe conta que nos levou ao musical no Canecão, eu não lembro pois era muito pequena. Mas lembro muito bem do LP dos Saltimbancos que tocou muito na nossa “eletrola”. Minha música preferida era a dos gatos “Nós gatos já nascemos pobres, porém, já nascemos livres”. Mas sabia de cor e salteado TODAS e até hoje elas martelam na minha cabeça como uns “Ponêis Malditos” do bem. Mais ainda depois da maternidade, pois voltei a escutá-las com o Pedro.

Pois é, eu como todas as mulheres do Brasil, sempre encontro uma música do Chico que encaixa perfeito no momento em que estou vivendo. Só que entre tantas músicas lindas, nesses últimos dias eu estava me sentindo o perfeito jumento e a própria Geni! Então essas músicas ficavam martelando no meu cérebro. “Trabalha, trabalha de graça” e “Joga pedra na Geni”. Final de ano é sempre assim para todo mundo. Estoura um monte de coisas de tudo que é lado, a gente trabalha horrores, a coisa parece que não rende, não vai ter fim e o povo em geral tá estressado e sai descontando no primeiro que vê pela frente, que geralmente é você!

Mas, antes que a carcaça ameaçasse rachar, eis que surge um showzinho do Chico Buarque, para lembrar que “pelo menos uma vez na vida eu vou levar a vida que eu pedi a Deus”! E foi assim que aconteceu, depois de uma semana bem estressante sem babá (parte boa!), sem sogra, sem mãe e com muito trabalho dentro e fora de casa, não apenas surgiram os ingressos a tanto tempo comprados e por isso até esquecidos e – muito mais importante – surgiu um “cuidador” para o Pedro, o que nos permitiu uma pausa luxuosa na rotina para ver e ouvir o Chico.

Participar de um show com tanta poesia é um carinho na alma. Sei que soa clichê feminino, mais é inevitável: o Chico nos entende tão bem, porque na realidade somos na essência todas muito parecidas. Somos Bárbaras, para as quais nunca é tarde e nunca é demais. Somos a Noiva da Cidade que com a janela escancarada quer dormir impunemente. Somos fortes Helenas, Mulheres de Atenas. Somos Aquela Mulher que quando está com o ser amado não cuida do mundo um segundo sequer. Somos a Rosa que arrasa o projeto de vida e depois some na madrugada. Somos a Ana de Amsterdam que arriscou muita braçada na esperança de outro mar. Somos a Beatriz que vai ensinar a não andar com o pé no chão. Somos a Rita que se foi sem levar um tostão mas causou perdas e danos. Somos a Carolina que guarda nos olhos toda a dor desse mundo. Sentimos a dor da Angélica que não pôde agasalhar seu anjo e deixar seu corpo descansar. Também somos a Iracema que tem saído ao luar com um mímico e ambiciona estudar canto lírico. Somos a suave Cecília que deve ser apenas susurrada, pois nem mesmo as sutis melodias merecem seu nome espalhar por aí. Somos a Joana que geme de loucura e torpor. A  Ligia de olhos morenos que metem mais medo que um raio de sol. A Luiza para quem foi guardado mais de sete mil amores. Por isso esses poemas todos e outros mais, assim como aconteceu com a Teresinha, se instalaram como um posseiro dentro de nossos corações!

E por tudo isso e simplesmente por isso passei de Geni-Jumento à minha realidade de mulher-do-Poliana-mãe-do-Pedro ou seja lembrei que eu era a mulher mais feliz do mundo e estou com todo o gás para encarar esta finaleira de ano!

"Eles que não inventem de batizar meu irmão de Francisco...Senão já viu: Chico Bento"

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O filho que eu quero ter

Amo músicas, especialmente músicas infantis.

Quando um bom compositor e um bom letrista se encontram, o universo agradece!

É o que ocorre nesta música linda, criada pela genialidade conjunta de Toquinho e Vinícius. A primeira versão, gravada pelo Chico, é daquelas que se você ouvir sem chorar não merece o meu respeito (com todo o respeito!)

O filho que eu quero ter

Toquinho/Vinícius de MoraesÉ comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer

Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele temDe repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

***Depois disso não dá para dizer mais nada, mesmo uma verborrágica como eu tem que admitir que não há nada a acrescentar! Se tiverem interesse em saber mais sobre a música e o processo criativo da mesma que é outra história linda, leiam esse texto publicado no blog “Por trás da letra”:  http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/04/o-filho-que-eu-quero-ter.html
Pai, filho e sogro, num acalanta triplo!

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Cordel Encantado

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O Pedro ficava – e fica – hipnotizado com a abertura da novela Cordel Encantado! Ele tem fissura por preto e branco. No meu quarto tem um poster preto e branco de uma foto do nosso casamento que ele fica olhando horas a fio.

Vídeos de “O Gordo e o Magro” que a gente baixa no YouTube também são uma diversão para ele.

Mas o Cordel é campeão!

Quando ele tá rançando, o Diego diz: “Vou chamar o Cordel” e coloca esse vídeo! Ele pára na hora e fica olhando encantado!

E o guri tem bom gosto, pois esse vídeo é uma fofura! A música é lindinha, foi composta pelo Gilberto Gil especialmente para a abertura dessa novela e é cantada por ele e pela Roberta Sá.

A novelinha era tudo de bom! A música, o cenário, os atores, o enredo, a fotografia e todo resto super bem cuidados em cada detalhe. Pena o horário que me permitia vê-la apenas nos finais de semana.

A novela acabou, mas aqui em casa – se depender do Pedro – ela ainda vai durar muito tempo!

Longa vida ao Cordel, que nos dá um descanso da abominável Galinha Pintadinha!!!

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