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Parto Domiciliar, porém seguro!

Você decidiu: quero parto domiciliar. Ok. Mas não deixe de tomar todas as precauções, como eu já havia falado aqui!

A escolha é sua e é um direito seu, mas não coloque a sua vida e a de seu bebê em risco!

Por isso se esta for a sua escolha, recomendo fortemente que você leia dois artigos recentemente publicados sobre o assunto:   Nascimento em casa planejado que foi publicado  online na edição de 29 de abril de 2013 da Revista PEDIATRICS e também o artigo Bebês nascidos em casa precisam receber o mesmo padrão de cuidados de uma maternidade hospitalar publicado no site da American Academy of Pediatrics (AAP).

Nenhuma decisão importante deve ser tomada antes de  uma boa dose de informação! E, atualmente, graças à internet, informação não é mais um privilégio de poucos. Vivemos a era do “compartilhar” e eu acho isso ótimo!

Beijos e bom finalzinho de feriado!

Pedro e Valentina, Abril/2013

Pedro e Valentina – Abril/2013

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O parto e o direito de escolha

Frases como “O mundo hoje está predisposto a colocar você dentro de uma sala de parto” (Márcio Garcia, ator e diretor) e “O valor que o plano paga não compensa você desmarcar um consultório inteiro, você ganha mais numa tarde de consultório do que num parto” (Fernanda Macedo, médica obstetra) entre outras pérolas você vai encontrar em 8 minutos e 8 segundos de um vídeo presunçosamente intitulado “O Renascimento do Parto”.

Neste vídeo a cesariana é tratada como “tragédia” e uma “violência”, em nenhum momento é considerada parto. Esta palavra é reservada para o parto “natural” que é, idealmente, aquele realizado dentro do seu próprio lar. Esse vídeo apenas esquece que fora do maravilhoso mundo dos multimilionários, as casas não são equipadas com uma equipe médica e nem todos nós podemos ser assistidos por pessoas como a enfermeira Heloísa Lessa – “a parteira das estrelas” – que é uma pessoa extremamente responsável e no exercício de sua função monitora os batimentos do bebê e os sinais de vida da mãe (assim como num hospital) e afirma que deixa uma equipe médica preparada para possíveis complicações e, ainda, que para dar à luz em casa, a grávida não pode ter apresentado problemas durante a gestação e deve estar a, no máximo, 30 minutos de um hospital. Esses dados não estão no vídeo, são do programa da Ana Maria Braga. A apresentadora do “Mais Você” chamou a famosa parteira e um médico para comentarem o assunto de uma forma mais responsável do que até então vinha sendo tratado. Com a experiência muito próxima (a filha de Ana Maria teve um parto em casa numa experiência muito bem sucedida, por sinal), ela teve a lucidez de mostrar “os dois lados da moeda” e também chamar atenção para o fato de que esta forma de parto exige toda uma preparação que começa antes mesmo da gravidez.

É comovente o depoimento da Sra. Márcio Garcia que – com os olhos mareados – lamenta não poder ter tido os outros 2 filhos anteriores num “parto humanitário”. Sem dúvida, para quem tem essa infra toda deve ser uma experiência fantástica. Mas, com todo o respeito e consideração, as afirmações do Sr. Márcio Garcia e as lágrimas de sua esposa só demonstram o quão distantes da nossa realidade o casal está. Idem o caso da Gisele Bundchen que também é entusiasta do “parto humanitário” (em casa e dentro d’água). São exemplos de pessoas lindas-maravilhosas e extremamente competentes e bem sucedidas na área delas, mas vivem uma realidade tão tão distante dos demais seres humanos que acabam fazendo propaganda de certas coisas literalmente “sem noção” e que, principalmente, não são assim tão acessíveis quanto lhes parecem (para o cidadão comum, naturalmente!).

E, antes que me acusem de irracional, eu não sou “contra” o parto humanitário e menos ainda, contra o parto natural. Acho que são sem sombra de dúvida as melhores opções. Também lamento o fato das cesareanas estarem aumentando mais e mais a cada dia em nosso país, quando as pesquisas demonstram que não precisava ser assim.

Aliás, eu não sou contra nada, sou sim é a favor! Sou a favor de todos os tipos de parto, seja lá como os chamem: normais, aturais, cirúrgicos, cesáreos, etc. E sou – principalmente – a favor de que se chame PARTO qualquer um deles, sem preconceitos.

A “normalidade” do parto está na cabeça da mãe. Por favor, as opções da mulher nesse ponto merecem e devem ser respeitadas. Mas, sem esquecer que escolhas implicam responsabilidades e que se temos capacidade para escolher também teremos que ser capazes de nos responsabilizarmos por essas escolhas e eventuais erros que delas decorram.Como em tudo na vida é necessário em primeiríssimo lugar saber PONDERAR, ver que cada caso é um caso e cada mulher é única, asssim como serão únicos os seus filhos.

A escolha do parto inicia com a escolha do obstetra. Lembre-se de que nenhum médico pode lhe obrigar a nada, mas certamente ele a orientará para o que ele acha mais adequado para o seu caso. Se isso não coincidir com o que você quer, você tem toda a liberdade de discordar e inclusive trocar de médico. O que é feio e pouco honesto é dizer que o médico obrigou você a fazer o parto desta ou daquela maneira e você está arrependidíssima, como alguns exemplos do citado vídeo.

“Nunca, jamais, continue com um médico no qual você não confia” é um conselho que nem precisava ser dito, pois é o óbvio. Nenhum relacionamento médico-paciente vai funcionar sem confiança. Mas pelo número de mulheres que se dizem “arrependidíssimas” de terem feito uma cesárea obrigada pelo médico, parece que vale repetir.

Também implico com o fato de divulgarem apenas o “parto humanizado” mas deixarem de divulgar e – principalmente – estimular um bom cuidado pré-natal. O pré-natal bem feito é o que mais irá contribuir para que a gestante possa vir a ter um parto normal e, o mais importante, não ter complicações no parto. É a favor disso que devemos lutar: para que todas as mulheres tenham direito aos exames pré-natais, ao acompanhamento períodico durante a gestação e à informação (imprescindível para uma escolha plena).

Enfim, de tudo isso o mais importante é que, independentemente da forma de parto, ele deve ser uma escolha dos pais, com a orientação de um bom profissional, pois o objetivo é comum a todas as mães e tenho certeza que todas desejam isso com a mesma intensidade : que seus filhos nasçam bem e com saúde.  Isso sim é um sentimento muito humano.

Nascido numa cesariana não eletiva, após um duro trabalho de parto, de uma forma muito humana, sob meu ponto de vista!

Nascido numa cesariana não eletiva, após um duro trabalho de parto, de uma forma muito humana, sob meu ponto de vista!

*** ATUALIZANDO: Leiam http://www.perito.med.br/2014/06/deixem-as-cesarianas-em-paz.html?m=1

*** Pesquisa realizada nos EUA revisando as certidões de nascimento. Uma das conclusões é: “Entre os nascimentos realizados por médicos obstetras em hospitais, houve um índice de morte de 3,1 bebês para cada 10.000 nascimentos, em comparação com 13,2 mortes para cada 10.000 nascimentos entre os bebês que vieram ao mundo por meio do trabalho de uma doula, em um parto domiciliar.”

Link:

http://hypescience.com/bebes-nascidos-em-casa-tem-quatro-vezes-mais-chances-de-morrer/

*** Ler:  http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/07/professora-da-ufscar-tenta-parto-em-casa-por-48h-e-morre-apos-cesarea.html

 

 

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