Davi e os monstros

Já fazia um um tempo que o filho vinha para a cama dos pais todas as noites. Por que? “Porque tem um monstro enorme lá quarto do Pedro, mamãe”!

Fazia dias também que eu explicava para ele que não existem monstros. Explicar não é bem o termo, eu dizia para ele: “Meu amor, não existem monstros, pode ir para teu quartinho, papai e mamãe te amam e te asseguram que nada vai te acontecer.” Essas palavras não tinham nenhum efeito. Ele pulava para nossa cama igual, choroso, mas virava para o lado e dormia, protegido pelas paredes formadas pelos corpos de papai e mamãe.

Aí um dia estávamos na casa de uma amiga (MINHA coleguinha dos dos 3 aos 18 anos, do Jardim de Infância até o final do 2o grau!)  e o filho dela, o Davi, um aninho mais velho que o Pedro – o que nesta época da vida é uma grande diferença – estava vendo a animação “Universidade dos Monstros“. O Pedro, obviamente, ficou vidrado.

Foi aí que eu tive a (in)feliz idéia de usar o Davi para me apoiar na teoria de que “monstros não existem” e falei, já direcionando a resposta: – Davi, né que monstros não existem?

Mas o Davi, além de um guri querido e lindo, é muito articulado e me surpreendeu com uma resposta firme, mas dada da maneira mais doce possível: – Não tia Malú, a verdade é que eles existem sim, mas a gente não precisa ter medo deles. E continuou com a maior paciência possível discorrendo sobre o porque de não haver necessidade de se assustar, de que nem todos são tão ruins quanto a gente imagina. Eu fiquei embasbacada com a sabedoria do guri e o Pedro, bem, o Pedro ficou ouvindo a explicação com uma atenção que eu nunca tinha visto.

Sim, Davi, você tem toda a razão: monstros existem, mas a gente não precisa ter medo deles.

E o Pedro ficou muito mais satisfeito com esta explicação do que a minha simples e insistente afirmação de que “monstros não existem”.

É incrível como as crianças estão SEMPRE nos ensinando. E nos lembrando do básico e do realmente importante da vida. Os monstros existem, mas muitas vezes não são tão feios como a gente pinta. E, sim, podemos conviver com eles.

Tanto quanto as crianças, nós adultos também precisamos enfrentar nossos monstros, não é mesmo? Mas tem que ouvir o Davi: não precisa ter medo!

Beijos e boa semana!

 

Búuuuuuu!!!

Búuuuuuu!!!

 

 

 

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Arquivado em Crescimento, Crescimento (dos pais!), Medos

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