Os filhos dos outros

“Os filhos que nunca fazem nenhum  escândalo no Shopping ou no Supermercado e os bebês que dormem a noite toda desde os primeiros meses de vida são e serão sempre os filhos dos outros”. (“Criando bebês” Dr. Howard Chilton, Editora Fundamento)

Pedroca fez dois anos e está um fofo, cada dia mais querido e carinhoso com a gente. Nos impressiona com suas fofurices e espertezas e nós passamos 90% do tempo literalmente “babando”. Sim, ele é muito bonzinho. 90% do tempo.

E os outros 10% ? Bom, nesse resto de tempo que sobra nosso Gizmo “vira Gremlim“. Sim, nosso filhote perfeito tem seus momentos “menino monstro”.

Nas primeiras vezes em que isso aconteceu nossa reação foi de paralisia total. Não sabiámos o que fazer. Como pode ele ficar birrento se nós somos pais perfeitos? E disciplinadores, daqueles que dão carinho, mas impõem limites. Como, meu Deus, como isso está acontecendo conosco, logo nós tão ponderados, ajuizados, que fazemos tudo na medida certa?

Não, não é possível que ocorra conosco, nós não somos esses “pais modernos” que deixam a criança fazer tudo e esperam qualquer ocasião para enchê-la de presentes, mesmo que ela “não mereça” e não dê o menor valor. Pelo contrário, nós somos comedidos, tentamos sempre mostrar para ele que não dá para ter tudo e que deve se cuidar muito muito bem daquilo que se tem e tratar bem os amiguinhos e a todos com carinho e justeza.

Como isso acontece conosco, logo conosco que lemos tudo a respeito e sabíamos tanto! Mais ainda, nossa filosofia desde o início estava dando tão certo! O Pedro nunca tinha feito escândalos públicos, se atirado no chão do supermercado ou mesmo gritado o famoso refrão “eu-quero-porque-quero-quero”, nem  qualquer uma de suas variáveis. E olha que a gente leva ele para toda a parte!

Só que as situações começaram a aparecer e nós começamos a ficar estarrecidos! Começou com a batalha para colocá-lo na cadeirinha do carro, o que antes era uma rotina normal e aceita pelo pequeno sem maiores problemas, passou a ser uma luta diária.

Depois, veio as birras e as pequenas desobediências: “Pedro, dá um beijinho na Titia, Tia Fulana ele adora dar beijinhos!” e o guri vira a cara e se fecha.  “Pedro, quer experimentar esse docinho gostoso que a Vovó fez?”  e ele diz um sonoro e raivoso “naaaummmmm” ou, pior, coloca na boca e cospe.

E, assim, fomos pegos de surpresa pela “vida real” e por um serzinho que cresce em PG  e aos poucos e cada vez mais está aprendendo a demonstrar suas vontades, seus gostos e também seus desgostos. E nem sempre demonstra tudo isso da forma mais civilizada!

E nós? Bom, nós estamos aprendendo tudo sobre nossas limitações.  Concluindo que não existe nada mais bem humorado e mais verdadeiro do que a frase do Doctor Howard.

Antes de ter filhos, ao nos depararmos com uma cena de criança birrenta num local público sempre pensávamos “nossos filhos jamais serão assim”. Quando presenciávamos as crianças “dos outros” fazendo manha para dormir ou correndo e berrando pela casa afirmávamos que “isso nunca vai acontecer com a gente, pois nós saberemos discipliná-los”. Pois é, outra verdade absoluta é a de que é muito muito muito, mas muito meeeesmo, é realmente muito mais fácil educar os filhos dos outros! E dar palpites então… Ahhh, dar palpites é uma barbada.

Difícil mesmo é nos depararmos com aquelas situações que jamais pensamos um dia protagonizar. É difícil pra caramba! Assumir de forma  humilde e humana que não somos perfeitos. Admitir que talvez não sejamos muito melhores que nossos pais e que em algum momento devemos ter errado. Sim, não tivemos muito tempo – ele tem apenas 2 anos – e mesmo nesse pequeno espaço de tempo nós demos nossos tropeços.

Ainda acho que assumir que a criança pode ter um problema dela, que não seja nossa culpa nessa idade é impensável. É impensável para os pais e especialmente para mães (nasce uma mãe, nasce a culpa, especialmente nas católicas!).

Mas independente de quem sejam os culpados, tento manter a mesma conduta pro ativa que regra minha vida: não buscar culpados, buscar soluções. Por isso estou naquela fase, tentando manter sempre a paciência e a calma e – ao menos por fora – não me abalar para poder falar calmamente com ele e explicar que  “não se deve fazer isso, porque é feio e ele é um menino tão bonito e querido para fazer algo feio”.

Tenho usado esse “método” de forma bem repetitiva. As vezes funciona, as vezes não. As vezes ele não se acalma, mas eu me acalmo e noutras ele se acalma e eu não! Também há vezes nas quais nós dois nos acalmamos. De tudo que li e, principalmente,  vivi até o presente momento, ainda não tenho nada – absolutamente nada – para ensinar.  E olha que antes de ter filhos eu tinha milhares de fórmulas infalíveis!

******************

Beijos e um super feliz 2013! Que seja um ano de grande aprendizagem para todos nós!

******************

P.S. Quando tiver aprendido algum truque venho correndo aqui contar. E você, se tiver algum, por favor – pelo amor de Deus – COMPARTILHE!😉

IMG_8887

6 Comentários

Arquivado em Crescimento, Crescimento (dos pais!), Criação, Educação

6 Respostas para “Os filhos dos outros

  1. Sandra Martins da Rosa

    Malu, que bom que o Pedro está crescendo e manifestando as suas vontades. No entanto, o que os aflige enquanto pais é como isto se manifesta e aí é que voces entram em ação, colocando-lhe os limites, tarefa muito difícil de ser executada pois, junto com ela vêm os anseios e frustrações de ambas as partes. Para isto não se tornar uma guerra permanente, repito para você o que ouvi de um médico no inteiror, sobre educação, quando um dos meninos era pequeno: “seja a melhor mãe que a senhora puder ser; se conseguir, será muito bom para ele pois ele sentirá firmeza na senhora” . Eu saí de lá com isto na cabeça e não me esqueci. Com certeza errei, mas sempre procurando dar o meu melhor.
    É isto.
    Beijo e Feliz 2013
    Tia Sandra

    • Tia Sandra! Sábios conselhos e de quem tem muita experiência, afinal criaste 3 guris fantásticos! Um beijão e um 2013 maravilhosos para vocês, Malú

  2. Essa tarefa de criar os filhos me parecia tão fácil quando só tinha minha filha, que nunca retrucou, não teimou, não fazia birra, simplesmente não incomodava nunca, eu via as outras crianças fazendo coisas erradas e ia logo colocando a culpa nos pais, depois que tive o meu menino tudo mudou, a primeira palavra que ele disse foi não, ele retruca tudo e não aceita nada imposto por mim, vive de castigo e mesmo assim logo que sai do castigo volta a aprontar, agora ele já está na escola e graças a Deus, lá ele se comporta e tem se mostrado muito interessado e inteligente, falei com uma psicóloga a um tempo atrás e ela me disse que ele era normal, que eu teria que enfrentar as fases dele com paciência pois ele era um pouco agitado demais, mas nada muito fora do normal.
    Um beijo a todos.

    • Oi Patrícia! Obrigada pelo comentário, é muito bom quando temos um retorno do que escrevemos e poder compartilhar experiências! É bom saber que não acontece só com a gente!🙂 Beijo!

  3. fatima

    Muito real essa tua situação! Também já tive os momentos de achar que isso jamais aconteceria comigo e com os filhos, se os tivesse. Agora que tenho, vejo o quanto utópico é imaginar que temos uma fórmula mágica para lidar com todas a situações que se apresentam ( e olha que são muiiitas!!!), todos os dias surgem novas dúvidas e sim, novas culpas e perguntas do tipo “onde foi que errei?” Agora já estou conseguindo lidar melhor com os palpites dos que acham que educar – os nossos – filhos é fácil e que a fórmula deles é a única que funciona. Que bom que você está no caminho certo, muita paciência, conversa e repetições. Muitas felicidades pra vocês!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s