iCoisas – Na interseção das artes e da tecnologia (e a biografia do Steve Jobs)

Finalmente terminei a biografia do Steve Jobs que é ótima e recomendo.

Até o lançamento do iPod eu nunca tinha dado a menor bola para os produtos da Apple, sempre achei que era coisa para “entendidos”, para engenheiros e o pessoal “da informática”.

Descobri que estava redondandamente enganada. As iThings são para analfabetos tecnológicos como eu. Na realidade fui me dar conta disso com o iPhone que ganhei do Diego na semana que o Pedro nasceu. Quando ganhei este “celular” e “tive” que conviver diariamente com o bichinho e comecei a mexer nele, baixar aplicativos e fazer misérias é que vi o quão mais fáceis de manejar os aparelhos da Apple são.

Já vinha a um tempo “apanhando” para um Blackberry feioso e achava uma bobagem comprar o “tal do iPhone”, afinal mal conseguia mexer no smartphone que eu já tinha. Mas quando comecei a fuçar no iPhone, fiquei maravilhada. Nossa! Como aquilo era fácil! Fiquei me achando a mais tecnológica das pessoas e um novo mundo se abriu para mim: o mundo das pessoas que não brigam com seus aparelhos eletrônicos!

Pois é. eu vivo em pé de guerra com os eletrônicos (e com alguns eletrodoméstico também!). Sempre que instalo um programa novo no meu PC dá erro e eu – óbvio – fico apavorada! Sem exageros, sou daquelas pessoas que quando aparece a mensagem “você executou uma operação ilegal” na tela, já estou me entregando para a polícia e quando vem aquela “erro fatal” então fico totalmente sem esperanças, me achando a mais errônea criatura! Pior, sempre tem um babaca para lembrar que o problema está na pecinha sentada à frente do computador (que ódio). Mas descobri que não sou uma pecinha tão ruinzinha assim e me dou superbem com as iThings, o que está começando a me convencer de que vale a pena pagar mais um pouquinho por um produto Apple.

Já tive um iPod (lindo, cor de rosa choque) e depois do iPod, o iPad apareceu aqui em casa. Esse iPad era simplesmente a oitava maravilha do mundo aos meus olhos, fiquei encantada com o aparelho e suas infinitas possibilidades, os “apps”, as revistas e tal. Mas até então não usava ele muito, achava que era uma coisa mais recreativa. Foi somente com iPhone que me caiu a ficha de quão boas eram aquelas “ferramentas” e aí comecei a sentir necesssidade e usar mais o iPad. Afinal descobri que aqueles produtos eram feitos para os origós como eu usarem. Sim, são fáceis e não precisa de “professor”, a gente mesmo vai descobrindo no uso, é o tal do “intuitivo” (adorei o termo e estou achando que tenho uma bela intuição!).

Além disso, o design dos produtos da Apple são lindos (até o meu iPod cor-de-rosa conseguia não ser kitsch) e, convenhamos, a vida é muito curta para ter que conviver com objetos feios. Sem frescura,  se nós formos parar para pensar como são feios os objetos que temos que conviver, principalmente os computadores, que mudaram daquele branco/bege para o preto, mas continuaram horrendos! E o que dizer das TVs que mesmo depois que ficaram finas continuam feiosinhas. Bom, não virei uma applemaníaca, porque não sou dada a fanatismos (só me permito ser fanática pelo Diego e pelo Pedro), mas estou quase isso.

Por isso quando vi a biografia do Steve Jobs em absolutamente todas as banquinhas da Feira do Livro, não pude deixar de comprar. Normalmente a gente usa as coisas e nunca pensa em que “bolou” elas (duvido que algum dia você tenha ligado a luz e pensado no Thomas Edison!!!), mas com a morte prematura (em que pese esperada) do Steve Jobs e toda a repercussão do caso, não pude deixar de pensar no cara e ter curiosidade sobre a pessoa dele.

O livro é ótimo e faz a gente entender muitas coisas de tecnologia, do mundo dos negócios e da criação de produtos. Mostra os diversos aspectos históricos e atuais da vida e do funcionamento das empresas que eu nunca tinha parado para pensar. E também trouxe a resposta para uma pergunta que de um ano para cá – desde que eu ganhei o iPhone – eu andava me fazendo: se esses aparelhos da Apple são tão melhores e tão mais bonitos, porque a maioria dos “entendidos” que eu conheço não os usam?

Pelo que eu entendi, ter um computador (e isso vale para os celulares e tablets também) que a gente não precisa mexer, só ligar e usar é fantástico para para as pessoas como eu (as analfabetas digitais). Agora se você sabe como montar e desmontar seu computador, sabe instalar programas e – principalmente – fazer eles funcionarem (especialmente se livrar dos malditos vírus) não vai valer a pena comprar os produtos Apple que além de serem mais caros trabalham com um sistema “fechado”, em que não há liberdade para você escolher os softwares que deseja, pois não são compatíveis.

A melhor resposta é do próprio Steve Jobs: “Elas (as pessoas) estão ocupadas, fazendo o que sabem fazer melhor e querem que façamos o melhor do que somos capazes. A vida delas é movimentada; existem mais coisas para fazer do que perder tempo pensando em como integrar seus computadores e aparelhos”. Essa era a justificativa para seus produtos serem incompatíveis com os das outras empresas, pois para garantir o pleno funcionamento era preciso que o hardware (a parte que você bate) e o software (a parte que você xinga) fossem idealizados pela mesma empresa como um produto harmônico. O objetivo era não perder o controle de toda a “experiência de consumo” e o cara era tão maniático que para garantir isso desde o primeiro momento que o consumidor tivesse contato com o produto ele resolveu criar as lojas, onde você compra os produtos da forma como ele gostaria que fossem vendidos e tem uma experiência daquilo que ele sempre idealizou em termos de design de uma loja. Resumindo, são lojas lindas maravilhosas e funcionam da maneira como ele queria que fucionassem, ou seja, de forma perfeita.

Esse cuidado de além de desenvolver produtos inovadores, precocupar-se com o design deles era uma de suas obsessões e a parte que eu mais gosto. Por isso é tudo da Apple é tão mais bonito. Segundo seu biográfo , Jobs “gostava do conceito de um modernismo simples e despojado, produzido para as massas” e é isso que vemos nos seus produtos, desde as embalagens.

O livro também narra diversas das suas apresentações dos novos produtos, contando que ele usava sempre uma imagem para resumir o estilo do que buscava produzir: a interseção da Rua Artes Liberais com a Rua Tecnologia. Não por acaso a empresa que criou os desenhos animados mais lindos também tem o envolvimento de Jobs. “Toy Story”, “Vida de Inseto”, “Procurando Nemo”, “Carros”, “Ratatouille”, “Wall-E”, são todos da Pixar.

Ao meu ver ele não foi “o” cara (as passagens de sua vida pessoal e a forma como tratava os outros mostram que foi uma pessoa bem “babaca”), mas foi sem dúvida “o” empresário dos nossos tempos. Além de criar produtos  que mudaram o mundo, deixou o mundo muito mais bonito! Ele não inventou o desenho industrial dos produtos eletrônicos, mas aprimorou muito e imprimiu um nova (e mais bela) “cara” a eles.

A evolução é o caminho natural do ser humano, mais ainda no setor de informática, por isso é difícil que depois de tudo que ele inventou os consumidores voltem a aceitar o feio. Também como esses aparelhos estão muito presentes no nosso dia-a-dia, é uma forma da arte e da beleza serem consumidas de uma forma muito mais ampla e democrática.

Quanto a mim, estou louca para trocar meu PC por um Mac, mas o preço ainda me assusta e, entre trancos e barrancos, o meu PC ainda funciona. Mas que ia deixar meu cantinho de estudos mais lindo, ahhh, isso ia…

“One of the things that separates us from high primates, is that we’re tool builders.” Steve Jobs

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Arquivado em Biografias, Livros, Tecnologia

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