A Feira do Livro de Porto Alegre, cidade “baby friendly” e a importância da arte na vida da gente

Estão tentando transformar a Feira do Livro de Porto Alegre em um baita programa de índio, mas não estão conseguindo. Os estacionamentos estão cada vez mais caros e os descontos cada vez menores, ou seja, economicamente falando é muito mais vantagem ir a Livraria Cultura, já dizem em coro os chatos de plantão. Tudo bem se você é da turma dos comodistas e pensa assim. Só não me vá à Fnac, pois lá eles glorificam a “Galinha Pintadinha” e isso é perigosíssimo, outra hora eu explico o porquê.

Assim, registrado o meu protesto contra o baixo percentual dos descontos e o alto valor dos estacionamentos, eu “SUUUUUPER INDICO”: vá a Feira do Livro! E mais: visite o Centro de Porto Alegre nesta e em qualquer época do ano e leve a sua família.

Claro que não é aquele Centro das compras “Triple B” (bom, bonito e barato) sobre o qual eu falei no outro post, aquele é uma indiada mesmo, mais ainda aos sábados quando a fila da Linna é maior que as da Disney, completamente impraticável. Nestes dias devem ir apenas as pessoas que – como eu – fazem muita questão daquele “selo ouro” no passaporte da Funai. O programa Centro COM família deve ser feito com critério, por mais que “a tentação more ao lado” reserve outro dia para essas comprinhas (e me convide!).

Bom, a primeira dica que tenho para você que vai com criança é deixar o carro num estacionamento, nada de ficar zanzando atrás de lugar para estacionar, vá direto ao do Shopping Rua da Praia que é uma boa alternativa, pois é coberto e seguro. Quem tem a função de tirar/botar nenê na cadeirinha e abrir/fechar carrinho sabe o que eu estou falando. O entrar e sair do carro deve ser sempre cercado de cuidados em qualquer região da cidade e, com criança, a atenção, redobrada.

Pedro fez seu primeiro footing pela Rua da Praia muito bem acompanhado do avô, em determinado ponto do passeio se perderam: um correndo alucinado com a curiosidade de quem está dando seus primeiros passos na vida, o outro caminhando com a tranqüilidade e sabedoria que quem já viveu quase tudo. Com o toldo que colocam para proteger da chuva existe um verdadeiro corredor coberto que nos conduz ao outro lado da Praça de uma maneira 100% segura. O toldo se justifica, pois aqui em Porto Alegre sempre chove na semana da Feira do Livro, se mudarem a época vai passar mudar a semana da chuva (é um trato que a Prefeitura fez com São Pedro).

Nesta travessia até o outro lado da Praça estão sempre ali o “último lambe-lambe original” e as milhares de bancas recheadas de preciosidades. O Diego falou muito bem do que viu na Banca da Editora ArtMed. Eu namorei o que vi na Livraria do Arquiteto, mas comprei a inevitável biografia do Steve Jobs que tem em absolutamente todas as bancas e para o Pedro alguns exemplares da Coleção Gato e Rato, que foi mais complicadinho de achar (Banca 76, setor Margs). Essa coleção é uma boa dica para a biblioteca dos pequenos.

Do outro lado da Praça está o “trio maravilha”: Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural e Margs, estes dois últimos abrigando mostras da 8ª BIENAL DO MERCOSUL que é outro programão. A Bienal está incrível e vai até o dia 15 de novembro, então agilize-se! Se você estiver com tempo e ânimo, há ainda o Cais do Porto, que além de abrigar mais obras da Bienal é um lugar lindo para namorar, especialmente no final de tarde!

Todos estes lugares são amplos, tranqüilos para passear de carrinho e – ao contrário do que espalham – não há uma multidão se acotovelando na Feira. Esse era o final de semana da estréia e estava bem tranquilo, tinha bastante movimento mas não superlotação, como diz o avô do Pedro “tudo muito civilizado”.

As opções de paradinha para o almoço, cafézinho ou lanche da tarde são inúmeras, tem o Mercado Público ali pertinho que era nossa primeira intenção, mas com carrinho de nenê não achamos uma boa. A comida e o ambiente do Margs são formidáveis, tanto do lado de dentro quanto de fora. Porém optamos pelo Restaurante Moeda do Santander Cultural e foi perfeito, comida nota dez, é buffet (o que acaba sendo sempre a melhor logística quando se está criança, já que volta e meia a gente tem que se revezar: um cuida e o outro come) e o ambiente não precisa ser melhor: bem amplo, fácil de circular com o carrinho (aliás todos estes lugares projetados com acessibilidade de quebra são ótimos para circulação de carrinhos), com bastante espaço entre as mesas (ou seja, dá para conversar sem ter que participar da conversa da mesa do lado) e, o mais legal, totalmente baby friendly. Ninguém fez cara feia para o Pedro, apesar dele estar ali só incomodando com sua cadeira ambulante descomunalmente desproporcional ao seu tamanho, seus inevitáveis gritinhos e o fato de que não consumiu nenhum centavo. Ainda, na mesa vizinha uma jovem senhora com sua linda bebê de 9 meses amamentou tranqüilamente, sem escandalizar ninguém, sem ser alvo de olhares tortos ou repreensão. Mamaço em Porto Alegre? Not necessary!

Outra coisa que eu SÚUUPER INDICO é a Programação do Santander Cultural para o mês de novembro de música e cinema. Fazia tempo que eu não olhava o se passava por lá e não sabia o que estava perdendo! Quando eu li o “Cardápio” de filmes desse mês deu vontade de tirar umas férias e ir a todos! Não tem nenhum que não valha a pena ver ou rever. Quem prepara essas mostras tem muita inspiração e capricho, estão lá animações francesas lindas de morrer (9 longas e 50 curtas!); uma bela homenagem a Liz Taylor com “Um lugar ao sol”; o belíssimo “A época da Inocência”; o querido “Ao mestre, com carinho”: o ótimo “Sexo, Mentira e Videotape” e um que tenho muita vontade de ver e nunca tive oportunidade (vou ter agora) “Irmão Sol, Irmã Lua” do Zeffirelli. E já que estou num momento “Malú também é cultura”, indico dois documentários (why not?): “Palavra (en)cantada” e “Malditos Cartunistas”, não vi nenhum deles, mas verei e já adianto que são daqueles impossíveis de não serem um bom programa! E quem encontrar o responsável por esta programação fantástica do Cine Santander Cultural faça-me o favor de dar um grande beijo nele(a) por mim!

As vezes a gente esquece como a arte, em suas diferentes formas, é importante na vida da gente. Nos ocupamos tanto com umas bobagens e com a correria da rotina diária e de repente alguma bela expressão de arte – seja um livro, uma poesia, uma fotografia, um filme, uma instalação, uma grande obra arquitetônica ou um gol do Damião – nos faz parar e refletir nas coisas fantásticas que este mundo já produziu e nos ofereceu. Bienal, Feira do Livro, … Tem muita gente aí promovendo esse encontro para nós, o mínimo que a gente pode fazer é aproveitar!

Um ótimo domingo! E não esqueçam: quarta é feriado! Aproveitem!

Lembrança da Feira do Livro

1 comentário

Arquivado em Delícias de Porto Alegre, Livros

Uma resposta para “A Feira do Livro de Porto Alegre, cidade “baby friendly” e a importância da arte na vida da gente

  1. irumar

    estreia intelectual de Pedro, adorei!

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